Informe 2052: Uma previsão global para os próximos quarenta anos

Um novo estudo questiona a capacidade da humanidade de sobreviver se ela não mudar radicalmente de rumo

Apresentado pelo Clube de Roma no dia 7 de maio, expõe a possibilidade de que a humanidade não consiga sobreviver no planeta se persiste no caminho do consumismo e da visão de curto prazo.

Jorgen Randers, autor do relatório, formula algumas perguntas chaves: Quantos habitantes têm capacidade no planeta? Ficará abalada a confiança cega no crescimento perpétuo? Acontecerá a mudança climática incontrolável? Onde melhorará e onde piorará a qualidade de vida? Tomando como base as minuciosas investigações e contribuições de trinta especialistas do setor, Randers estabelece as seguintes conclusões:

  1. Embora a humanidade já tenha iniciado o processo de adaptação às limitações do planeta, sua resposta pode ser em excesso lenta.

  2. As atuais economias dominantes na escala mundial, especialmente os Estados Unidos, ficarão paralisadas. Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e dez economias emergentes (agrupadas no informe com o nome BRISE), evoluirão.

  3. Contudo, em 2052 continuarão existindo 3 mil milhões de pobres no mundo.

  4. A capacidade para atuar da China garantirá o sucesso deste país.

  5. A população mundial alcançará um ponto de inflexão em 2042, em função da queda da taxa de natalidade em áreas urbanas.

  6. O PIB mundial crescerá a um ritmo muito mais lento do previsto, como consequência da desaceleração da produtividade nas economias amadurecidas.

  7. As concentrações de CO2 na atmosfera continuarão em aumento e ocasionarão um incremento de 2° C na temperatura em 2052. Em 2080, o incremento alcançaria 2,8° C e poderia desencadear a retroalimentação da mudança climática.

O estudo garante que a principal causa dos problemas futuros será a excessiva visão de curto prazo do modelo político e econômico dominante. “Precisamos de um sistema de governabilidade com maior ambição”, afirma o professor Randers desde Roterdão. “Com o atual sistema é pouco provável que os governos adotem medidas que obriguem os mercados a encaminhar mais dinheiro a soluções que respeitem o meio ambiente, e não podemos assumir que os mercados irão trabalhar pelo bem da humanidade.

Nossa atual forma de vida não poderá se sustentar nas próximas gerações se não introduzirmos grandes mudanças. A humanidade tem excedido já os limites do planeta e, em alguns casos, veremos um colapso local de recursos antes de 2052. Deve-se ter presente que o volume anual de emissões de gases de efeito estufa é, atualmente, duas vezes superior que a capacidade de absorção dos bosques e os oceanos do planeta”.

A apresentação do estudo esteve a cargo do Clube de Roma, um laboratório de ideias cujas atividades estão centradas no estímulo ao debate para alcançar um futuro sustentável. O Clube continua com sua tradição de apoiar o trabalho daqueles que apresentam questões fundamentais e fomentam a adoção de soluções de longo prazo. A apresentação do informe acontece às vésperas do congresso internacional do WWF, a organização mundial para a conservação da natureza.

2052: uma previsão global para os próximos quarenta anos (publicado nos EUA por Chelsea Green), aparece no período prévio à cúpula de Rio e estuda problemas formulados por primeira vez em Os limites do crescimento, o informe original apresentado também há 40 anos no Clube de Roma, que teve a Randers como coautor e alcançou grande repercussão ao questionar o ideal do crescimento perpétuo.

Fazendo referência às evidências de 2052, Ian Johnson, secretário-geral do Clube de Roma, comentou: “A análise que o professor Randers faz da situação do mundo dentro de 40 anos tem demonstrado que, se desejamos que nossos netos vivam em um planeta sustentável e equitativo, não podemos continuar como se nada acontecesse. Precisamos de 40 anos para que a mensagem de Os limites do crescimento seja claramente entendida. Não podemos permitir mais perda de tempo”.

O lançamento de 2052: uma previsão global para os próximos quarenta anos faz parte de uma campanha mais ampla de 18 meses de duração com o lema 2052: o mundo dentro de 40 anos, onde o Clube de Roma propõe estimular a apresentação de ideias para contribuir com o progresso mundial sustentável, tomando como ponto de partida o contexto do estudo Os limites do crescimento.

O professor Jørgen Randers trabalha em questões relacionadas com o clima e a análise de cenários na BI Norwegian Business School, e oferece palestras no mundo todo a respeito do desenvolvimento sustentável e o clima. Randers é membro não executivo de diversos conselhos de administração corporativos e autor de inúmeros livros e publicações científicas.

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