Nossos dias têm 16 horas e não mais 24 horas!

Ressonância Schumann



Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13Hz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.


Mas agora o foco muda. A maior parte das páginas parece discutir questões geofísicas do planeta.

Então, vamos olhar no Web of Science. Para usar esta ferramenta é necessário estar conectado a partir de uma instituição que assine o serviço. O Web of Science retorna somente artigos publicados em revistas científicas indexadas. Agora temos apenas 47 respostas. Destas, apenas duas mencionam alguma correlação entre a ressonância de Schumann e o ser humano, referindo-se a dois artigos do cientista ambiental Neil Cherry em obscuras revistas.

O fato de haver tão poucas referências qualificadas a respeito da suposta influência da ressonância de Schumann sobre os seres humanso, também é uma boa indicação de há algo errado. Mas afinal, o que são estas tais ressonâncias?

Um pouco de física


Como a circunferência da Terra é de 40 mil km, as ondas eletromagnéticas, que se propagam a 300 mil km/s, podem dar 7,5 voltas no planeta em apenas um segundo. Isto estabelece o valor básico para a freqüência de ressonância em 7,5 Hz.

As medições mostram que a freqüência fundamental de Schumann tem um valor de 7,8 Hz, bem próximo ao que grosseiramente estimamos acima. Mas a radiação eletromagnética também apresenta outros picos de ressonância em 14, 20, 26, 33, 39 e 45 Hz. Assim o mais adequado seria falar de ressonâncias de Schumann.

A figura abaixo mostra os três primeiros picos de ressonância medidos pelo pessoal do Departamento de Ciências Físicas da Universidade de Oulu, Finlândia.

Fora de escala, a figura ilustra as ondas eletromagnéticas estacionárias vibrando entre a superfície do planeta e a ionosfera.

Os três primeiros picos de ressonância Schumann em 7,8, 14 e 20 Hz. O pico em 17 Hz não é uma ressonância de Schumann, mas sim devido às estradas de ferro suecas!

Mas o gráfico acima, com medidas tomadas em 1993, também mostra que há algo errado com o argumento de Boff: as freqüências de Schumann não mudaram a partir de 1980! O pico fundamental de 7,8 Hz continua lá, e não em 11 ou 13 Hz, como ele afirma no texto.

De fato, ao longo dos anos, as frequências oscilam levemente (menos de 0,3 Hz) em torno da média devido à radiação de microondas do Sol, como mostra esta longa série de medidas feitas no Northern California Earthquake Data Center, entre 1995 e 2003: Variação da freqüência fundamental de Schumann ao longo dos anos.

O mundo anda tão complicado


Mas e quanto todo aquele argumento sobre a influência delas sobre o cérebro humano? E será que os ataques de 11/set foram culpa destas forças cósmicas?

Mesmo que as freqüências houvessem se alterado como dito por Boff, elas ainda seriam um improvável sujeito para explicar tão variados fenômenos humanos e naturais. Diante da complexidade do mundo, um dos cuidados que devemos ter é o de olhar muito, muito criticamente para qualquer hipótese que tente abarcar tudo em uma única causa.

Boff parece mais um ansioso por uma explicação fácil para o mundo. Algo que a gente possa pegar e dizer: se isto vai mal é por culpa daquilo. Mas na pressa ele perdeu o senso crítico. Possivelmente ouviu de segunda-mão sobre as ressonâncias, abraçou a nova verdade e a divulgou. Custaria muito pouco que ele antes fizesse alguma pesquisa, confirmasse suas fontes, e não apenas as reproduzisse. A certa altura ele afirma: Empiricamente fêz-se a constatação que não podemos ser saudáveis fora desta freqüência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um “simulador Schumann” recuperavam o equilíbrio e a saúde.

Não é necessário ser um cientista para ir até o site da Nasa e fazer uma consulta sobre esta afirmação tão surpreendente. Ao constatar que não há uma uma única palavra sobre o assunto, Boff poderia desconfiar que esta informação sobre “simulador Schumann” não era muito confiável.


Seguindo a lógica de Boff, a bandidagem carioca, antes efeito de décadas de políticas públicas mal-feitas, pode agora ser perdoada como apenas conseqüência das variações cósmicas naturais!

E o que parece mais provável, que as alterações climáticas globais sejam provocadas pelo excesso de emissão de gases, ou por desvios de um sutil campo eletromagnético? E os ataques terroristas, seria mais razoável creditá-los a estas forças elétricas moduladoras do cérebro, do que à profunda instabilidade político-social criada no Oriente Médio desde o fim do regime colonial? As indústrias bélica e de petróleo norte-americanas só têm a agradecer a todos divulgadores da ressonância de Schumann.

Fonte

Em resumo, estamos trocando tempo por tudo, dinheiro, comida, consumismo e esquecemos de nós mesmos em um geral. Esquecemos de reparar nos detalhes, na beleza de uma planta ou no cantar de um pássaro. Tudo pois precisamos correr, mas para onde? -Ton
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